Vendedores de DVDs piratas invadem Maceió
A falta de fiscalização, alto índice de desemprego são os principais fatores que contribuem para o aumento da pirataria nas ruas da cidade
Larissa Wilson
A prática da pirataria de DVDs está por toda parte de Maceió. Com uma aglomeração maior nas ruas do Centro da cidade, especificamente na Praça dos Palmares, a pirataria persiste sem medo.
Pode-se perceber que a banalização do crime da pirataria é tão grande que os ambulantes e camelôs não têm nenhum medo de violar a Lei Anti-Pirataria 10.695/2003. Eles expõem livremente e em qualquer parte seus produtos. São DVDs de todos os tipos e gosto, e o preço é mínimo. Hoje já se pode comprar quatro DVDs pelo preço de R$10,00.
A realidade é que a pirataria virou atualmente uma alternativa de emprego de muita gente não só em Maceió, mas em várias cidades do Brasil. A quantidade de consumidores de pirataria só aumenta, cerca de 42% da população utiliza algum tipo de produto pirateado concluiou o levantamento feito pela Fecomércio-Rio, em parceria com o instituto Ipsos, em nove regiões metropolitanas do País. O preço baixo é o principal motivo da escolha por parte dos consumidores da pirataria, citado por 93% dos entrevistados.
O ambulante Beto, 37 anos, que está há do 59º Bimtz cerca de sete anos trabalhando no mesmo local, próximo ao quartel, na Avenida Fernandes Lima, aderiu a pirataria há 1 ano e 8 meses e está satisfeito com os resultados. Ele vende de quinze a vinte DVDs por dia no valor de R$3,00 cada, e faz a promoção de quatro DVDs por R$10,00. Trabalha todos os dias no horário de 9 horas da manhã até 7 horas da noite. No final do mês consegue uma renda de aproximadamente oitocentos reais.
Os DVDs de shows mais procurados são os de forró e o DVD mais vendido foi o Tropa de Elite, disse Beto . Quando se fala em fiscalização, ele ressalta que nunca teve seus produtos apreendidos e que a fiscalização praticamente não existe, e quando existe nada acontece, ninguém é punido.
O DVD pirata invadiu também as locadoras. Muitas locadoras de bairro utilizam o DVD pirata como uma forma de baratear o serviço, alugando por apenas R$1,00. Interessante que os próprios camelôs estão vendendo e alugando ao mesmo tempo. O camelô José Ricardo, do Centro de Maceió disse que a há 4 meses aluga seus DVDs por esse preço. Não existindo nenhum controle, ele alugar os DVDs as pessoas conhecidas e elas passam um tempo médio de três à quatro dias, sem ter nenhuma garantia que os DVDs irão ser devolvidos.
As vídeo locadoras da cidade sofrem para se sustentar. O movimento caiu bastante nos últimos anos, e muitas já fecharam, como por exemplo, a Vitória Vídeo do bairro do Farol. Mas, mesmo assim, com todos os empecilhos, uma grande locadora foi inaugurada esse ano no bairro da Ponta Verde, a 100% Vídeo.
O consumidor assíduo da pirataria, Antônio, 56 anos, ex-operador de máquinas do Cinema São Luís, diz que compra DVDs pirata por ser o único meio de ter acesso aos filmes, pois não tem dinheiro para comprar um original. Observar ainda que a realidade do brasileiro atualmente não dá condições para que as pessoas possam adquirir cópias originais que na maioria das vezes possuem preços exorbitantes.
A discussão sobre o tema é extensa. A compositora e participante da Banda Santadica, Ábia Marpim defendeu a prática da pirataria no sentido de ser uma forma de torna acessível a todas as classes a arte do cinema e da música, e fez críticas ao descaso das autoridades responsáveis pelos impostos em cima do produto, para tentar mudar essa realidade, tornando mais acessível o preço do DVD original.
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