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Voz, violão e ambiente

Larissa Wilson

Arranjos criativos não faltam no novo álbum do músico Lucas Santanna, intitulado “Sem Nostalgia”. Utilizando apenas o violão, sons produzidos eletronicamente e a voz, o jovem músico mostra sua originalidade e talento.

O colorido e a imagem dos gráficos sonoros na capa já é um sinal da mistura que encontraremos nas doze faixas que contém o álbum. Com muito bom gosto Lucas Santanna explora a tecnologia e todas as ferramentas que lhe são disponíveis para unir o dedilhar das cordas do violão com outras sonoridades.

Na primeira faixa “Super violão mashup”, percebemos a intensidade do som produzido por Santanna que faz uma colagem de sons afros e sambas, a música toma proporções de um batidão funk dançante. Já a faixa seguinte “Who can say which way”, completamente diferente, embala uma canção que faz lembrar uma banda de rock antiga, o som do violão ganha mais destaque e com uma letra composta em inglês, o musico demonstra que não existem regras em suas composições.

Com uma melodia mais calma, a faixa três “Night time in the backyard”, também em inglês, conta com sons de insetos em sua composição, tornando a canção psicodélica e interessante. A próxima faixa denominada “Cira, Regina e Nana”, é apresentado um samba cheio de efeitos eletrônicos e arranjos, dessa vez Santanna canta em português.

A faixa cinco é mais uma mistura que dá certo, com o nome de “Recado pro pio lobato” a melodia vem com uma mixagem dos sons do violão, explorando os ecos e as distorções. Bastante curiosa a experiência, pois por vários momentos não identificamos ao certo os instrumentos que foram utilizados.

A faixa seis “Hold me in” e a ultima faixa do álbum “Natureza#1” carregam uma melancolia peculiar. Nessas músicas um clima atmosférico é produzido, a tracejada do violão do músico ecoa pelo espaço e sons minimalistas são produzidos. A faixa “ Natureza#1” conta também com vários sons de insetos contemplando a natureza.

Dando seqüência, a faixa sete “Amor em Jacumã” levadas de bateria transformam a música em um sambarock aconchegante de se ouvir, no final da musica um som de trovão é emitido dando uma sensação de chuva. Também com batidas marcantes a faixa oito “I can´t live far from my music” cantada em inglês retoma a sensação de uma banda,o som da percussão se mistura com sons eletrônicos, uma clima sensual é o resultado da mistura.

A faixa seguinte “Cá pra nós”, talvez inspiração para o nome do álbum, Santanna canta com suavidade “sem ilusão, sem nostalgia, só o querer que acende...”, com uma letra em português o musico faz voz e violão, transformando a música em uma canção romântica e melancólica. A mesma melancolia encontramos na faixa onze “Ripple of the water”, cantada em gravada em inglês e gravada com sons do Jardim Botânico (RJ), a música cria um clima tenso.

E a faixa dez “O Violão de Mario Bros”, a mistura remete a um samba bem característico, com uma estrutura própria, cheio de mixagens e efeitos, a musica é curta, mas suficiente para chamar a atenção do ouvinte.

Ao fim do álbum concluímos que “Sem Nostalgia” pode ser considerado uma salada de ritmos de bom gosto. O jovem Lucas Santanna consegue ir além das convenções e supostas regras musicais estabelecidas atualmente, e faz um som experimental, original e de qualidade.


SEM CABEÇA